O Que é CDI e Como Ele Afeta Seus Investimentos
O que é CDI? Em resumo, é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário, a taxa de juros que os bancos cobram uns dos outros em empréstimos de curtíssimo prazo, feitos para fechar o caixa no fim do dia com saldo positivo. Na prática, você provavelmente não vai emprestar dinheiro para nenhum banco diretamente, mas essa taxa importa porque virou a régua de referência para quase todo investimento de renda fixa no Brasil — CDB, LCI, LCA e fundos DI costumam anunciar o rendimento como um percentual do CDI, por exemplo “110% do CDI”.

Neste artigo
O CDI é calculado diariamente pela B3 (que incorporou a antiga Cetip) com base na média das taxas de empréstimos interbancários registrados no dia. Ele acompanha de perto a taxa Selic, a taxa básica de juros definida pelo Copom a cada 45 dias, ficando historicamente cerca de 0,10 ponto percentual abaixo dela. Em agosto de 2026, com a Selic em 14,25% ao ano, o CDI girava perto de 14,15% ao ano — por isso é comum ver “CDI” e “Selic” sendo usados quase como sinônimos no dia a dia do mercado financeiro.
Entender essa relação ajuda a interpretar qualquer investimento de renda fixa pós-fixada: quando o Banco Central sobe a Selic para conter a inflação, o CDI sobe junto, e a rentabilidade de CDBs, fundos DI e Tesouro Selic aumenta. Quando o Copom corta a Selic, o efeito é o inverso, e esses mesmos investimentos passam a render menos.
O CDI (Taxa DI) segue historicamente cerca de 0,10 ponto percentual abaixo da taxa Selic, sendo calculado diariamente com base nas operações de empréstimo interbancário.
Banco Central do Brasil, dados de 2026

Quando a Selic sobe, o CDI sobe junto — e a renda fixa pós-fixada rende mais.

Cada CDB anuncia um percentual do CDI diferente — vale sempre comparar antes de escolher onde investir.
O Que é CDI na Prática: Onde Ele Aparece no Dia a Dia
Além dos investimentos, o CDI também influencia o custo do crédito. Empréstimos e financiamentos com taxas pós-fixadas usam o CDI como referência, o que significa que, em ciclos de Selic alta, tomar crédito fica mais caro, e em ciclos de Selic baixa, o crédito tende a ficar mais barato. Já para quem investe, a lógica é oposta: CDI alto é uma boa notícia para quem tem dinheiro em CDB, Tesouro Selic ou fundos DI, porque a rentabilidade pós-fixada sobe junto.
CDB, Poupança ou Tesouro Selic: Onde o CDI Rende Mais
A poupança segue uma regra própria, que não acompanha o CDI diretamente: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano — como em agosto de 2026 —, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), o que resulta em algo em torno de 6% a 6,5% ao ano. Já um CDB que paga 100% do CDI, no cenário atual, rende perto de 14% ao ano antes do Imposto de Renda — mais do que o dobro da poupança, mesmo descontado o imposto que a poupança não tem.
| Investimento | Rentabilidade aproximada (ago/2026) | Imposto de Renda |
|---|---|---|
| Poupança | ~6,2% ao ano | Isento |
| CDB 100% do CDI | ~14% ao ano (bruto) | Tabela regressiva, de 22,5% a 15% |
| Tesouro Selic | ~14,2% ao ano (bruto) | Tabela regressiva, de 22,5% a 15% |
Simulação: R$ 10 Mil Investidos por 12 Meses
Vale um cuidado extra com fundos DI: muitos cobram taxa de administração que pode chegar a 1% ou mais ao ano, o que corrói boa parte do rendimento quando o CDI está mais baixo. Em bancos tradicionais, é comum encontrar fundos DI com taxas de 2% a 3% ao ano — nesses casos, o rendimento líquido pode ficar até abaixo da poupança, mesmo o fundo sendo tecnicamente atrelado ao CDI. Antes de aplicar, vale sempre perguntar qual é a taxa de administração e comparar com opções de corretoras independentes, que costumam oferecer fundos DI e CDBs com taxas bem menores ou até isentas.
Para comparar de forma concreta, imagine R$ 10.000 aplicados por exatamente 12 meses (360 dias) em dois lugares diferentes. Na poupança, rendendo cerca de 6,17% ao ano sem desconto de Imposto de Renda, o valor final fica em aproximadamente R$ 10.617. Em um CDB que paga 100% do CDI a 14% ao ano, o rendimento bruto seria de R$ 1.400, mas incide Imposto de Renda de 20% sobre o ganho nesse prazo (a alíquota da tabela regressiva para aplicações entre 181 e 360 dias) — um desconto de R$ 280, resultando em rendimento líquido de R$ 1.120.
Ou seja, mesmo pagando Imposto de Renda, o CDB termina o período com cerca de R$ 11.120, contra R$ 10.617 da poupança — uma diferença de R$ 503 a favor do CDB nesse cenário de Selic e CDI elevados. Vale reforçar que essa simulação usa uma taxa constante apenas para fins didáticos; na prática, o CDI varia ao longo do ano conforme as decisões do Copom, e rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.
Vantagens e Riscos de Investir Atrelado ao CDI
- Vantagem: previsibilidade — investimentos pós-fixados atrelados ao CDI acompanham a política de juros do Banco Central quase em tempo real.
- Vantagem: em ciclos de Selic alta, como o atual, a renda fixa pós-fixada volta a ser competitiva frente a investimentos de maior risco.
- Risco: quando o Copom corta a Selic, o rendimento desses investimentos cai junto, exigindo revisão de expectativas.
- Risco: nem todo CDB é protegido; verifique se a instituição está coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite de R$ 250 mil por CPF e instituição.
O Que Não Depende do CDI
Nem todo investimento anda junto com o CDI. Ações, fundos imobiliários, fundos multimercado e investimentos em renda variável de forma geral têm rentabilidade que depende do desempenho de empresas, do mercado imobiliário ou de estratégias de gestão — não de uma taxa de juros interbancária. É por isso que, mesmo em um cenário de CDI elevado como o atual, ainda existe espaço para diversificar uma carteira com uma pequena parcela de renda variável, dependendo do perfil e do prazo de cada investidor.
Cenários: Reserva de Emergência ou Objetivo de Longo Prazo
Para quem está montando a reserva de emergência, o ideal é priorizar investimentos atrelados ao CDI com liquidez diária, como o Tesouro Selic ou fundos DI de baixa taxa de administração — o dinheiro precisa estar disponível a qualquer momento, mesmo que isso signifique abrir mão de uma rentabilidade ligeiramente maior em opções com prazo de carência.
Já para objetivos de longo prazo, com resgate previsto para daqui a alguns anos, vale considerar CDBs com prazos mais longos, que costumam pagar um percentual maior do CDI como compensação pela menor liquidez, além de se beneficiar das alíquotas mais baixas da tabela regressiva de Imposto de Renda, que caem para 15% em aplicações resgatadas depois de dois anos.
O CDI ganhou esse papel de referência porque, historicamente, é considerado um investimento de baixíssimo risco: como envolve apenas bancos emprestando entre si por um único dia, a chance de calote é mínima. Isso o transformou em uma espécie de “piso de comparação” para qualquer aplicação de renda fixa — se um investimento promete pagar bem menos que o CDI, geralmente não compensa o risco ou a falta de liquidez envolvidos.
Fontes
- Banco Central do Brasil — Portal de Dados Abertos, Meta Selic definida pelo Copom
- Banco Central do Brasil — Ata da 279ª Reunião do Copom, junho de 2026
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