O que é o FGC e como ele protege seu dinheiro investido
Se o banco onde você tem um CDB quebrasse amanhã, seu dinheiro estaria protegido? Depende do valor. Em resumo, o FGC — Fundo Garantidor de Créditos — devolve até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, em caso de falência ou liquidação do banco, com um teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos por investidor. Isso não é teoria: em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, o maior acionamento do FGC da história do sistema financeiro brasileiro, e o mecanismo foi testado na prática. Veja como ele funciona, o que cobre, o que ficou de fora e como usar esse limite a seu favor.

Neste artigo
O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 e mantida pelos próprios bancos associados, que pagam uma contribuição mensal sobre os depósitos captados. A lógica é parecida com a de um seguro: todos os bancos contribuem para um fundo comum, e esse fundo é acionado quando uma instituição associada quebra ou tem a operação suspensa pelo Banco Central. Para quem investe, o efeito prático é simples — dentro do limite de cobertura, o dinheiro aplicado é devolvido mesmo que o banco não exista mais.
Nem todo investimento tem essa proteção. O FGC cobre CDB, LCI, LCA, letras de câmbio, poupança, depósitos à vista e conta-salário. Ficam de fora ações, fundos de investimento (inclusive fundos DI e multimercado), Tesouro Direto e CDBs emitidos por instituições que não são associadas ao fundo. É uma distinção importante: o Tesouro Direto não precisa do FGC porque tem a garantia do Tesouro Nacional, que é considerada ainda mais sólida — mas fundos de investimento em geral não têm nenhuma das duas proteções, porque o dinheiro neles pertence aos cotistas, não ao banco.
Um detalhe que confunde muita gente: o limite de R$ 250 mil vale por conglomerado financeiro, não por banco isolado. Se um banco digital e uma financeira pertencem ao mesmo grupo econômico, o dinheiro aplicado nos dois é somado para efeito do limite — mesmo que apareçam como marcas diferentes no aplicativo. Antes de contar com a proteção total em duas “instituições” que parecem separadas, vale checar no site do FGC se elas pertencem ao mesmo conglomerado, porque essa é justamente a armadilha que pega quem acha que está diversificando e, na prática, está com tudo exposto ao mesmo risco.
O acionamento do FGC no caso do conglomerado Master foi o maior da história do Sistema Financeiro Nacional, com impacto estimado em R$ 51,8 bilhões.
Banco Central do Brasil

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar uma crise severa de liquidez e violações às regras do sistema financeiro. O episódio se espalhou por dez instituições ligadas ao conglomerado até fevereiro de 2026, tornando-se o maior caso de acionamento do FGC já registrado no Brasil.

Para quem tinha até R$ 250 mil aplicados em CDB do Banco Master, o ressarcimento começou em janeiro de 2026 e, em meados de fevereiro, já havia pago 92% do valor total previsto. Quem tinha mais do que isso investido em uma única instituição, porém, ficou exposto à parte que excedeu o limite — sem garantia do FGC sobre esse excedente.
Novas regras do FGC a partir de 2026: o que muda
O caso Master também motivou uma reação regulatória. O Conselho Monetário Nacional aprovou novas regras para o uso do FGC como garantia de captação, em vigor desde 1º de junho de 2026, com o objetivo de desestimular bancos de assumirem riscos excessivos para pagar taxas muito acima da média — como CDBs oferecendo 120% do CDI ou mais, um padrão comum entre instituições que depois enfrentaram problemas. Na prática, isso encarece a captação das instituições mais agressivas e tende a reduzir a oferta desse tipo de taxa “boa demais para ser verdade” no mercado. A partir de novembro de 2026, os bancos também vão receber dados mais detalhados sobre investidores cobertos pelo fundo, o que deve aumentar a transparência sobre a exposição de cada instituição.
Simulação: quanto do seu dinheiro fica protegido em cada cenário
Pense em duas pessoas com R$ 300 mil para investir em renda fixa. Camila coloca tudo em CDB de um único banco, atraída por uma taxa mais alta. Se esse banco quebrar, o FGC devolve R$ 250 mil — e os outros R$ 50 mil entram na fila de credores da massa liquidanda, sem nenhuma garantia de retorno integral. Rafael faz diferente: aplica R$ 150 mil em CDB do Banco A e R$ 150 mil em CDB do Banco B. Se qualquer um dos dois bancos quebrar, o valor aplicado ali está 100% dentro do limite do FGC — e o problema fica restrito a apenas uma parte do patrimônio, nunca ao total.
A diferença entre os dois não está em quanto cada um ganhou de rentabilidade — está em como distribuíram o risco. Diversificar entre instituições financeiras diferentes é, para quem investe em renda fixa, uma das formas mais simples de reduzir a exposição a um problema como o do Banco Master, sem abrir mão da segurança da renda fixa nem precisar sair dela.
Vantagens e limites do FGC
A grande vantagem do FGC é dar segurança para investir em bancos menores, que costumam pagar taxas mais atrativas do que os grandes bancos, sem abrir mão da proteção — desde que o valor fique dentro do limite de cobertura. O limite existe justamente para isso: incentivar quem tem mais dinheiro a diversificar entre instituições, em vez de concentrar tudo em um único banco atrás da taxa mais alta do mercado. A limitação mais importante é que ela é por instituição financeira (considerando o conglomerado inteiro), não por produto — ter um CDB e uma LCI no mesmo banco não dobra a proteção, os dois somam dentro do mesmo teto de R$ 250 mil.
Vale lembrar também que o FGC não é motivo para ignorar a saúde financeira do banco antes de investir. A proteção existe, funciona e foi comprovada no caso Master, mas o processo de ressarcimento leva tempo — os pagamentos aos investidores da Master só começaram cerca de dois meses depois da liquidação decretada pelo Banco Central. Quem depende daquele dinheiro no curto prazo, como parte da reserva de emergência, sente esse intervalo na pele, mesmo sabendo que vai receber. Isso reforça que o FGC é uma rede de segurança para o pior cenário, não um substituto para escolher instituições financeiras com histórico e fundamentos sólidos.
O que verificar antes de investir pensando na proteção do FGC
- Confirme se a instituição é associada ao FGC — a lista completa está disponível no site oficial do fundo.
- Some todos os produtos garantidos que você já tem no mesmo banco (CDB, LCI, LCA, poupança) para saber quanto do limite de R$ 250 mil ainda resta.
- Se o valor total ultrapassar R$ 250 mil em uma instituição, considere dividir entre dois ou mais bancos associados.
- Lembre-se de que o teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos vale por CPF, somando todas as instituições em que você tiver cobertura acionada.
- Taxas muito acima da média do mercado (bem acima de 100% do CDI) merecem atenção redobrada — o caso Master mostrou que esse padrão pode ser sinal de risco elevado no banco, não apenas de uma oferta vantajosa.
Fontes
As informações deste texto vêm do Banco Central do Brasil, sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master e as novas regras do Conselho Monetário Nacional para o FGC, e do site oficial do Fundo Garantidor de Créditos, sobre os limites e as regras de cobertura vigentes em 2026.
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Para quem está decidindo onde aplicar a reserva de emergência dentro do limite do FGC, vale conferir a comparação entre CDB ou Tesouro Direto feita aqui no site. E quem ainda não começou a investir pode dar uma olhada no guia Como Começar a Investir do Zero.
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