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Balança inclinada com títulos financeiros, setas de alta e queda e gráficos ao fundo, representando a variação de preço da renda fixa pela marcação a mercado.

O que é marcação a mercado e por que sua renda fixa pode cair

Por que um investimento de renda fixa, considerado “seguro”, às vezes aparece no vermelho no aplicativo do banco? Em resumo: por causa da marcação a mercado, a regra que atualiza diariamente o preço do seu título como se você fosse vendê-lo naquele exato momento — mesmo que você não tenha nenhuma intenção de vender. Isso assusta muita gente que entrou no Tesouro Direto ou em um fundo de renda fixa esperando só números subindo, e vê o extrato oscilar como se fosse ação. Entender esse mecanismo evita decisões erradas, como vender no pior momento por puro susto.

Resumo do artigo
  • Marcação a mercado atualiza todo dia o preço do seu título de renda fixa como se você fosse vendê-lo naquele momento, mesmo sem intenção de vender.
  • Se os juros do mercado sobem, o preço de um título prefixado ou IPCA+ cai no aplicativo; se caem, o efeito é o oposto.
  • Não é prejuízo real: segurando o título até o vencimento, você recebe exatamente a taxa contratada na compra.
  • O Tesouro Selic sofre pouco com esse efeito; o prefixado e o IPCA+ sentem mais, por isso a escolha do título deve combinar com o prazo do seu dinheiro.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do Cada Escolha Conta.

Balança inclinada com títulos financeiros, setas de alta e queda e gráficos ao fundo, representando a variação de preço da renda fixa pela marcação a mercado.

Marcação a mercado é o procedimento pelo qual o preço de um título é atualizado todo dia, considerando quanto ele valeria se fosse negociado no mercado secundário naquele momento — não pela taxa que você contratou na hora da compra. Se as taxas de juros do mercado sobem depois que você comprou um título prefixado ou um Tesouro IPCA+, o preço dele no mercado secundário cai, porque agora existem títulos novos pagando mais. Se as taxas caem, o efeito é o oposto: o preço do seu título sobe, porque ele ficou mais atrativo que as opções novas disponíveis.

Até 2022, essa atualização diária era mais visível no Tesouro Direto. A partir de 2023, novas regras determinaram que todas as instituições financeiras — não só o Tesouro Direto — precisam mostrar o saldo de renda fixa já considerando a marcação a mercado, seguindo diretrizes da CVM aplicadas também aos fundos de investimento. Isso significa que CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa com títulos prefixados ou atrelados à inflação também podem mostrar oscilação, mesmo quando o produto em si não mudou nada.

Desde 2023, todas as instituições financeiras passaram a ser obrigadas a apresentar o saldo de investimentos em renda fixa atualizado pela marcação a mercado — regra que antes só era plenamente visível no Tesouro Direto.

Marcação a Mercado x Marcação na Curva: Qual a Diferença

Existem duas formas de acompanhar o valor de um título de renda fixa. Na marcação na curva, o investidor vê o rendimento crescer de forma previsível todo dia, como se fosse sempre carregar o título até o vencimento, aplicando só a taxa contratada. Na marcação a mercado, o valor é recalculado diariamente considerando o preço de negociação atual — que sobe e desce conforme o humor do mercado e as expectativas de juros futuros. O Tesouro Selic, por ter rentabilidade pós-fixada e baixo risco de mercado, sofre pouquíssimo com isso; já o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ sentem mais.

AspectoMarcação na curvaMarcação a mercado
O que mostraRendimento previsto se você ficar até o vencimentoQuanto o título valeria se fosse vendido agora
Oscilação diáriaPraticamente nenhumaPode subir ou cair conforme os juros do mercado
Quando importaSó relevante se você resgatar no vencimentoImporta se você pode precisar vender antes do prazo
Título mais afetadoTesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ (mais que o Tesouro Selic)

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Por Que o Preço Sobe e Desce Antes do Vencimento

O mecanismo é o mesmo que rege qualquer título de dívida negociado no mercado: o preço se ajusta para que a rentabilidade implícita fique competitiva com as taxas atuais. Alguns fatores pesam mais nessa conta.

  • Expectativa da Selic: se o mercado passa a prever juros mais altos no futuro, títulos prefixados antigos (com taxa menor) perdem valor de mercado.
  • Prazo até o vencimento: quanto mais longo o título, maior a oscilação de preço para uma mesma variação de juros — é o chamado risco de mercado ou risco de duration.
  • Inflação (para o Tesouro IPCA+): expectativas de inflação mais altas ou mais baixas do que o esperado também mexem no preço de mercado do título.
  • Liquidez do mercado secundário: em momentos de estresse financeiro, a oscilação de preço pode ser mais brusca por falta de compradores dispostos a pagar o preço “justo”.

Simulação: Como um Título Pode Cair Sem Você Ter Feito Nada de Errado

Imagine que você comprou R$ 5.000 em Tesouro IPCA+ com vencimento em 10 anos, travando uma taxa contratada de IPCA + 6% ao ano. Seis meses depois, o Banco Central sinaliza que vai manter os juros altos por mais tempo do que o mercado esperava, e os novos títulos de Tesouro IPCA+ passam a ser vendidos pagando IPCA + 6,8% ao ano. Como o seu título antigo paga menos que o novo, ele fica menos atrativo — e seu preço de mercado cai, podendo fazer os R$ 5.000 aparecerem como R$ 4.700 ou R$ 4.600 no aplicativo.

Isso não significa que você perdeu dinheiro de verdade. Se você mantiver o título até o vencimento, o Tesouro Nacional paga exatamente a taxa contratada na compra — IPCA + 6% ao ano — independentemente do que aconteceu com o preço de mercado no meio do caminho. A perda só vira real se você vender o título antes do prazo, pelo preço de mercado do momento, que pode estar abaixo do que você pagou.

O mesmo raciocínio vale ao contrário. Se, no exemplo anterior, o Banco Central sinalizasse queda de juros e os novos títulos passassem a pagar menos que os 6% ao ano contratados por você, o efeito seria oposto: seu título ficaria mais valioso que as opções novas, e o preço de mercado subiria acima dos R$ 5.000 originais. É por isso que investidores de renda fixa às vezes vendem um título prefixado antes do vencimento com lucro maior que o esperado — venderam justamente num momento em que o mercado passou a valorizar mais aquela taxa antiga.

Vale lembrar também que esse efeito não é exclusivo do Tesouro Direto. Fundos de renda fixa que carregam títulos prefixados ou atrelados à inflação na carteira também sofrem oscilação de cota pelo mesmo motivo — o gestor não fez nada de errado, o mercado é que reprecificou os ativos. Entender isso ajuda a não julgar a qualidade de um fundo só pela variação de curto prazo, e sim pelo que ele entrega no horizonte de tempo para o qual foi desenhado.

Quando a Marcação a Mercado Realmente Importa

A regra prática é simples: a marcação a mercado só vira prejuízo de verdade se você precisar (ou decidir) vender antes do vencimento, no momento errado. Fora isso, é só uma oscilação no papel.

  • Importa muito se: o dinheiro é sua reserva de emergência e pode precisar ser resgatado a qualquer momento — nesse caso, títulos pós-fixados como o Tesouro Selic sofrem menos com esse efeito.
  • Importa pouco se: você já sabe que só vai precisar do dinheiro no vencimento do título, então a oscilação no meio do caminho é apenas visual.
  • Vale evitar: vender um título prefixado ou IPCA+ no meio de uma queda de preço só porque o extrato assustou — isso transforma uma perda temporária em uma perda definitiva.
  • Vale considerar: para reservas de curto prazo, títulos pós-fixados (Tesouro Selic, CDB de liquidez diária) evitam esse tipo de sobressalto.

Conclusão: O Extrato no Vermelho Não é Sempre Prejuízo

Marcação a mercado é um mecanismo de transparência, não um defeito do investimento — ela existe para mostrar o valor real de negociação do título a qualquer momento, e passou a valer para todas as instituições financeiras, não só para o Tesouro Direto. O ponto de atenção não é evitar títulos que sofrem marcação a mercado, é escolher o título certo para o prazo certo: dinheiro que pode ser precisado a qualquer momento combina melhor com pós-fixado; dinheiro com data de resgate definida pode aproveitar taxas prefixadas ou atreladas à inflação sem susto, desde que você segure até o vencimento.

Fontes

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