Tesouro Prefixado: como funciona e quando vale a pena
Diferente da maioria dos investimentos de renda fixa, que só mostram o rendimento final depois que ele acontece, o Tesouro Prefixado tem uma característica rara: você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento, desde o dia da compra. Em resumo, o Tesouro Prefixado é um título público que trava uma taxa de juros fixa até o vencimento, funcionando bem para quem quer previsibilidade total, mas que pode surpreender quem precisa vender o título antes do prazo, por causa da variação do preço no mercado secundário.
Resumo do artigo
- Tesouro Prefixado paga uma taxa fixa conhecida no momento da compra, ao contrário de títulos pós-fixados ligados à Selic ou ao IPCA.
- Em julho de 2026, o Tesouro Prefixado 2029 pagava cerca de 14,20% ao ano, e o de 2032, cerca de 14,36% ao ano.
- O Boletim Focus projetava a Selic caindo de 14% (fim de 2026) para 12% em 2027 e 10,5% em 2028.
- Vender o título antes do vencimento pode gerar lucro ou prejuízo, dependendo da direção dos juros no momento da venda.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do Cada Escolha Conta.

Neste artigo
O Tesouro Prefixado é um título público federal, vendido pelo Tesouro Direto, cuja rentabilidade é definida em uma taxa fixa no momento da compra, sem nenhum indexador (diferente do Tesouro Selic, que acompanha a Selic, ou do Tesouro IPCA+, que corrige pela inflação). Se você compra um título prefixado a 14% ao ano e o mantém até o vencimento, recebe exatamente essa rentabilidade sobre o valor investido, independente do que acontecer com a Selic, o CDI ou a inflação nesse período.
Essa previsibilidade é o principal atrativo do produto: dá para simular, com precisão, quanto o dinheiro vai valer numa data futura específica, o que ajuda bastante em objetivos com prazo definido, como comprar um carro em 3 anos ou pagar uma entrada de imóvel em uma data conhecida.
Com o Tesouro Prefixado, você sabe exatamente quanto irá receber ao final do prazo do investimento, pois a rentabilidade é fixa e definida no momento da compra.
Tesouro Direto
Quanto rende o Tesouro Prefixado hoje
As taxas do Tesouro Prefixado mudam todos os dias úteis, conforme as expectativas do mercado sobre a trajetória dos juros. Em julho de 2026, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 pagava cerca de 14,20% ao ano, e o título com vencimento em 2032 pagava cerca de 14,36% ao ano — taxas de referência que podem já estar diferentes no momento em que você lê este texto, então o passo mais importante antes de investir é consultar o valor atualizado direto no site do Tesouro Direto.
Vale notar que títulos com vencimento mais distante costumam pagar uma taxa um pouco maior, como compensação pelo prazo mais longo em que o dinheiro fica comprometido — um padrão comum em renda fixa conhecido como “prêmio de prazo”.
O Tesouro Direto também permite comprar frações de um título, a partir de cerca de 1% do valor nominal, o que torna o Tesouro Prefixado acessível mesmo para quem tem pouco dinheiro para começar a investir. O aporte mínimo costuma girar em torno de R$ 30 a R$ 40, dependendo do preço do título naquele dia, o que facilita simular pequenos aportes mensais na mesma direção.
O risco de vender antes do vencimento (marcação a mercado)
A garantia de rentabilidade do Tesouro Prefixado só vale para quem segura o título até a data de vencimento. Se você precisar resgatar antes desse prazo, o Tesouro recompra o título pelo preço de mercado do dia, que sobe ou desce conforme a expectativa de juros muda — o mesmo fenômeno de marcação a mercado que também afeta o Tesouro IPCA+.
Na prática: se as expectativas de juros futuros caírem depois da sua compra, o preço do seu título prefixado sobe, porque ele passa a pagar mais do que os títulos novos emitidos naquele momento — e você pode vender com lucro antes do vencimento. Se as expectativas de juros subirem, o preço do seu título cai, porque ele passa a pagar menos do que as opções novas disponíveis, e uma venda antecipada nessas condições pode resultar em prejuízo, mesmo em um título do governo considerado seguro.
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Simulação: manter até o vencimento x precisar vender antes
Imagine um investimento de R$ 10.000 no Tesouro Prefixado 2029, a uma taxa de 14,20% ao ano, com objetivo de resgatar o valor só no vencimento:
| Cenário | O que acontece | Resultado para quem vende antes do prazo |
|---|---|---|
| Mantém até o vencimento | Recebe exatamente 14,20% ao ano combinados, sem surpresas | Não se aplica — sem venda antecipada |
| Juros futuros caem após a compra | Preço do título sobe no mercado secundário | Possível ganho extra ao vender antes do prazo |
| Juros futuros sobem após a compra | Preço do título cai no mercado secundário | Possível perda ao vender antes do prazo, mesmo sendo título público |
Esse comportamento explica por que o Tesouro Prefixado é considerado mais arriscado no curto prazo do que o Tesouro Selic, mesmo os dois sendo garantidos pelo governo federal: o risco não é de calote, é de precisar do dinheiro num momento ruim para vender.
Vantagens e desvantagens do Tesouro Prefixado
- Vantagem: previsibilidade total do valor final, útil para planejar objetivos com data certa.
- Vantagem: garantia do Tesouro Nacional, considerado o investimento de menor risco de crédito do país.
- Vantagem: possibilidade de ganho extra se os juros de mercado caírem e você optar por vender o título antes do vencimento.
- Desvantagem: variação de preço no mercado secundário, que pode gerar perda se for preciso vender em um momento de alta de juros.
- Desvantagem: não protege contra a inflação, diferente do Tesouro IPCA+ — se a inflação subir mais do que o esperado, o ganho real (descontada a inflação) pode ficar menor do que o previsto.
Imposto de Renda e taxas do Tesouro Prefixado
Assim como os demais títulos do Tesouro Direto, o Prefixado segue a tabela regressiva do Imposto de Renda: 22,5% sobre o rendimento para resgates em até 180 dias, caindo gradualmente até 15% para prazos acima de 720 dias. Além do IR, existe a taxa de custódia cobrada pela B3, atualmente de 0,20% ao ano sobre o valor investido, isenta para o primeiro R$ 10.000 aplicado em Tesouro Selic (não isenta nos demais títulos, incluindo o Prefixado). Corretoras podem cobrar uma taxa de administração adicional, mas hoje a maioria oferece Tesouro Direto sem essa cobrança extra.
Prefixado x Tesouro Selic x Tesouro IPCA+: quando escolher cada um
- Tesouro Selic: ideal para reserva de emergência e objetivos de curto prazo, por ter baixíssima variação de preço mesmo em resgates antecipados.
- Tesouro Prefixado: faz sentido para quem tem uma data certa em mente e não pretende mexer no dinheiro antes do vencimento, aproveitando uma taxa travada hoje.
- Tesouro IPCA+: mais indicado para objetivos de longuíssimo prazo, como aposentadoria, por proteger o poder de compra contra a inflação ao longo de décadas.
Um ponto a favor do Prefixado hoje: com o Boletim Focus projetando queda da Selic de 14% no fim de 2026 para algo perto de 12% em 2027 e 10,5% em 2028, travar uma taxa de mais de 14% ao ano por vários anos pode ser vantajoso para quem tem certeza de que não vai precisar resgatar antes do prazo — mas essa mesma projeção de queda de juros é justamente o que poderia valorizar o título no mercado secundário, para quem quiser vender antes.
Para simular o efeito de reinvestir os juros semestrais recebidos ao longo dos anos, a calculadora de juros compostos do Cada Escolha Conta ajuda a visualizar como o valor final muda conforme o prazo e a taxa contratada.
Conclusão
O Tesouro Prefixado entrega o que promete: uma taxa de juros conhecida e garantida, desde que o dinheiro fique investido até a data combinada. O risco não está no calote (o governo federal é o emissor), mas na necessidade de vender antes do prazo, num momento em que os juros de mercado podem ter mudado a seu favor ou contra você. Antes de investir, vale sempre perguntar: “tenho certeza de que não vou precisar desse dinheiro antes do vencimento?” Se a resposta for sim, o Prefixado pode ser uma boa forma de travar uma taxa atrativa por vários anos.
Para quem ainda está decidindo entre os diferentes tipos de título público, vale lembrar que não existe obrigação de escolher só um: é possível dividir uma carteira de renda fixa entre Tesouro Selic (liquidez), Tesouro Prefixado (previsibilidade) e Tesouro IPCA+ (proteção contra inflação no longo prazo), de acordo com o prazo de cada objetivo financeiro específico.
Fontes
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