Previdência privada: tabela regressiva ou progressiva, qual escolher?
Se você já tem PGBL ou VGBL, provavelmente lembra de ter escolhido entre a tabela regressiva ou progressiva no momento da contratação — e talvez nem tenha entendido bem o que estava escolhendo (se ainda está decidindo se o plano faz sentido, veja antes se a previdência privada vale a pena no seu caso). Em resumo, a tabela regressiva reduz o imposto quanto mais tempo o dinheiro fica investido (chegando a 10% após 10 anos), enquanto a progressiva usa as mesmas faixas do Imposto de Renda normal, com alíquota que pode ir de 0% a 27,5%. A escolha certa depende de quanto tempo você pretende deixar o dinheiro aplicado e do tamanho do resgate.
Resumo do artigo
- Na tabela regressiva, o imposto cai de 35% para 10% conforme o dinheiro fica mais tempo aplicado.
- Na tabela progressiva, a alíquota segue a tabela do IR normal, de 0% a 27,5%, conforme o valor do resgate.
- Regressiva costuma compensar mais para quem vai deixar o dinheiro aplicado por mais de 10 anos.
- Progressiva pode compensar para resgates pequenos ou prazos curtos.
- Desde 2024, é possível escolher o regime até o primeiro resgate, e não mais só na contratação.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do Cada Escolha Conta.

Neste artigo
Essa escolha existe tanto no PGBL quanto no VGBL — não é uma característica exclusiva de um ou outro produto. O que muda é a base de cálculo do imposto (no PGBL incide sobre o valor total resgatado; no VGBL, só sobre o rendimento), mas o regime de tributação, regressivo ou progressivo, é decidido separadamente e vale para os dois. Antes de 2024, essa escolha era praticamente definitiva, feita lá na contratação do plano. Com a Lei nº 14.803/2024, passou a ser possível adiar essa decisão até o momento do primeiro resgate ou do início do recebimento da renda — o que dá mais liberdade para decidir com base no comportamento real da aplicação, e não numa aposta feita anos antes.
Isso não significa que a escolha deixou de importar. Pelo contrário: como agora dá para decidir com mais informação, vale entender bem como cada tabela se comporta antes de resgatar qualquer valor, porque a decisão ainda costuma ser irreversível depois do primeiro saque.
Na tabela regressiva, a alíquota do Imposto de Renda cai de 35% para 10% conforme o tempo de permanência do dinheiro aumenta, chegando ao mínimo depois de 10 anos de aplicação — segundo as regras da Receita Federal.
Como funciona a tabela regressiva
A lógica da tabela regressiva é simples: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor o imposto pago no resgate. A alíquota começa em 35% para aplicações de até 2 anos e cai 5 pontos percentuais a cada 2 anos, até estacionar em 10% para valores aplicados há mais de 10 anos. O imposto é retido direto na fonte, no momento do resgate ou do início do recebimento da renda, e é definitivo — não entra na declaração anual para ajuste, nem depende de outras rendas que você tenha.
Um ponto importante: o prazo conta por aporte, não pela conta como um todo. Se você fez um depósito em 2020 e outro em 2024, cada um tem sua própria contagem de tempo para efeito de alíquota — o mais antigo já pode estar na faixa de 10% ou próximo disso, enquanto o mais recente ainda está nas faixas iniciais, mais caras.
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Como funciona a tabela progressiva
A tabela progressiva usa a mesma lógica do Imposto de Renda sobre salários: quanto maior o valor resgatado (ou recebido de renda mensal), maior a alíquota, que vai de isento até 27,5%. Em 2026, a faixa de isenção mensal chega a R$ 5.000, com redução parcial até R$ 7.350 e alíquota máxima de 27,5% acima disso. No momento do resgate, é retido 15% na fonte como antecipação — o ajuste final (para mais ou para menos) só acontece na declaração anual de Imposto de Renda, somando esse valor às demais rendas tributáveis do ano.
Isso significa que, diferente da regressiva, o resultado final da progressiva depende do seu quadro geral de renda no ano — não só do valor resgatado isoladamente. Quem já tem uma renda alta de outras fontes pode acabar pagando mais que os 15% retidos na fonte, porque o resgate se soma ao restante e pode empurrar a alíquota efetiva para cima.
Cenários: quando cada tabela costuma compensar mais
- Regressiva costuma compensar para quem já sabe que vai deixar o dinheiro aplicado por mais de 10 anos — objetivo claro de aposentadoria de longo prazo, sem previsão de resgate antecipado.
- Progressiva costuma compensar para quem pode precisar resgatar em poucos anos, ou pretende sacar valores pequenos e mensais que fiquem dentro (ou perto) da faixa de isenção.
- Fica mais difícil decidir quando o horizonte de tempo é incerto — nesses casos, vale simular os dois cenários com uma calculadora ou com ajuda de um planejador antes de escolher, já que a decisão tende a ser irreversível após o primeiro resgate.
Vantagens e desvantagens de cada regime
Nenhuma das duas tabelas é “melhor” de forma absoluta — cada uma tem um cenário em que faz mais sentido, e também um cenário em que sai perdendo.
- Regressiva — vantagem: alíquota mínima de 10% é mais baixa que a alíquota mínima da progressiva sobre valores altos (que pode chegar a 27,5%).
- Regressiva — desvantagem: nos primeiros anos, a alíquota é bem mais alta (35%) que a progressiva para a mesma faixa de valor, então resgates antecipados saem caros.
- Progressiva — vantagem: pode resultar em imposto zero ou muito baixo para resgates dentro da faixa de isenção, mesmo logo no início da aplicação.
- Progressiva — desvantagem: para resgates grandes ou concentrados em um único mês, a alíquota pode chegar a 27,5%, mais alta que o teto mínimo da regressiva de longo prazo.
Regressiva x progressiva: comparação lado a lado
| Critério | Tabela regressiva | Tabela progressiva |
|---|---|---|
| Alíquota mínima | 10% (após 10 anos) | 0% (dentro da faixa de isenção) |
| Alíquota máxima | 35% (até 2 anos) | 27,5% |
| Momento da tributação | Retenção definitiva no resgate | Antecipação de 15%, com ajuste na declaração anual |
| Depende de outras rendas? | Não | Sim, entra no ajuste anual |
| Indicada para | Prazos longos (10+ anos) | Prazos curtos ou resgates pequenos |
Simulação: resgate de R$ 200 mil depois de 12 anos
Imagine alguém que resgata, de uma só vez, R$ 200 mil de um plano de previdência aplicado há 12 anos. Na tabela regressiva, esse valor já está na faixa mínima (mais de 10 anos), então a alíquota é de 10% — o imposto retido seria R$ 20 mil, ficando R$ 180 mil líquidos.
Na tabela progressiva, um resgate único de R$ 200 mil cairia na faixa de alíquota mais alta da tabela do IR (27,5%, para a maior parte do valor acima da faixa de isenção), o que resultaria em um imposto bem mais alto — na casa de R$ 50 mil ou mais, dependendo das outras rendas da pessoa naquele ano, com o valor final sendo ajustado na declaração anual. Nesse cenário específico, de resgate único e valor alto depois de mais de 10 anos de aplicação, a regressiva sai significativamente mais barata. O cálculo muda bastante se o resgate for parcelado em valores menores ao longo de vários meses — aí a progressiva pode se aproximar ou até superar a regressiva, dependendo de quanto cada parcela fica perto da faixa de isenção.
Conclusão
Não existe uma resposta única entre tabela regressiva ou progressiva — a escolha certa depende do prazo que você pretende manter o dinheiro aplicado e de como pretende resgatar (de uma vez ou aos poucos). Como regra geral, quem já decidiu que vai manter o plano por mais de 10 anos tende a se beneficiar da regressiva; quem tem um horizonte mais curto ou incerto pode preferir a flexibilidade da progressiva. A boa notícia é que, desde 2024, essa decisão pode ser adiada até o primeiro resgate — use esse tempo para simular os dois cenários antes de decidir.
Se você ainda está decidindo entre PGBL ou VGBL, vale entender essa diferença antes — a escolha do regime de tributação se soma à escolha do tipo de plano, e as duas decisões juntas é que definem o quanto do seu dinheiro realmente sobra no resgate.
Fontes
- Receita Federal do Brasil
- Lei nº 14.803/2024 — flexibilização da escolha do regime tributário na previdência complementar
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